Ensaio
Amazônia e código: construir de fora do eixo
O que aprendi construindo empresa em Manaus, longe do hype, perto da floresta — e por que esse lugar mudou o jeito como penso tecnologia.

Cresci em Manaus. Construí minha empresa fora do eixo Rio-São Paulo. E, por muito tempo, achei que isso era desvantagem.
Hoje vejo o contrário. Construir tecnologia longe do hype te obriga a fazer perguntas mais antigas. A floresta não se impressiona com investidor. O cliente do interior não compra deck — compra resultado. E o tempo da Amazônia é diferente do tempo do Vale.
Isso me ensinou três coisas que carrego para tudo que faço.
Paciência estrutural. As coisas que importam levam tempo. Empresas, produtos, relações. A pressa típica do mundo tech atropela camadas que são justamente as que sustentam o edifício depois.
Proximidade com o problema real. Não dá para inventar dor a partir de uma planilha. As soluções mais elegantes que construí nasceram em conversas com pessoas que estavam fisicamente perto de mim, vivendo o problema, não em frameworks importados.
Ecologia de sistemas. A floresta é a maior aula de design que existe. Tudo se conecta, tudo retorna, tudo é interdependente. Pensar tecnologia com essa lente — em vez de pensar como engrenagem — muda as escolhas que você faz no código, no produto, no negócio.
A tecnologia que me interessa não é a que apaga o lugar de onde ela veio. É a que carrega esse lugar dentro dela, mesmo quando viaja o mundo.