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Ensaio

Amazônia e código: construir de fora do eixo

O que aprendi construindo empresa em Manaus, longe do hype, perto da floresta — e por que esse lugar mudou o jeito como penso tecnologia.

21 de fevereiro de 2026· 5 min de leitura

Cresci em Manaus. Construí minha empresa fora do eixo Rio-São Paulo. E, por muito tempo, achei que isso era desvantagem.

Hoje vejo o contrário. Construir tecnologia longe do hype te obriga a fazer perguntas mais antigas. A floresta não se impressiona com investidor. O cliente do interior não compra deck — compra resultado. E o tempo da Amazônia é diferente do tempo do Vale.

Isso me ensinou três coisas que carrego para tudo que faço.

Paciência estrutural. As coisas que importam levam tempo. Empresas, produtos, relações. A pressa típica do mundo tech atropela camadas que são justamente as que sustentam o edifício depois.

Proximidade com o problema real. Não dá para inventar dor a partir de uma planilha. As soluções mais elegantes que construí nasceram em conversas com pessoas que estavam fisicamente perto de mim, vivendo o problema, não em frameworks importados.

Ecologia de sistemas. A floresta é a maior aula de design que existe. Tudo se conecta, tudo retorna, tudo é interdependente. Pensar tecnologia com essa lente — em vez de pensar como engrenagem — muda as escolhas que você faz no código, no produto, no negócio.

A tecnologia que me interessa não é a que apaga o lugar de onde ela veio. É a que carrega esse lugar dentro dela, mesmo quando viaja o mundo.